Quinze de Novembro

São exatamente meia-noite e quatro, do dia quinze de novembro de 2018, e estou me aventurando novamente em escrever um artigo, sobre um assunto que está perturbando meu sono.

Somos indivíduos de pensamentos diferentes, que tomamos diversas decisões em todo o momento, baseado em sua maioria em critérios morais e/ou religiosos. É inegável também que estas decisões influenciam de um grau variado as pessoas que convivem conosco, que irá conviver e até mesmos os desconhecidos.

O motivo é simples: Vivemos em sociedade.

Por isso a importância de todas as nossas decisões. Pois uma decisão pode influenciar diretamente o seu direito futuro de decidir novamente. Este direito de decidir como irá ser afetado por uma decisão extremamente importante.

E a única forma de manter o direito de decidir, é entender que a decisão tomada pensando no coletivo é a única forma de manter o direito individual, inclusive o direito de poder decidir.

E decidir coletivamente não é pegar um grupo de indivíduos que optaram em decidir a mesma coisa, e sim um grupo de individuo que optaram em decidir a favor por uma opção construída no coletivo.

Já são meia-noite e onze minutos, e escrevo com muito orgulho e espero que todos que optaram em demonstrar que a decisão a favor da opção construído no coletivo está acima do direito individual, possam se sentir orgulhosos.

Estou falando quem optou em decidir a favor do PCAC da Transpetro.

Neste período existiu duas decisões, e não somente uma como a própria empresa divulgava. Existia a decisão de adesão ao PCR e a decisão de se manter no PCAC.

Sinto que o fim do prazo da adesão é comparável a situação de retorno de greve. Pois nunca fomos, ao menos aqui nas bases que o SindipetroNF representa, a maioria. Alias, se considerar o quantitativo de companheiros que nós representamos, e quem realmente participa das greves é sempre super mínimo.

Ao retornamos ao trabalho, olhando para as caras da maioria que tinha furado a greve, eles abaixavam a cabeça, saiam de mansinho da sala operacional. Não porque estavam chateados conosco, mas porque sentiam vergonha ou constrangimento, pois naquele momento, quem eles consideravam amigos, e conheciam as famílias sangraram durante a greve.  

Porém os direitos que foram conquistados iriam para todos, inclusive para quem tinha furado a greve e até para aqueles que foram ou seriam agentes de punições, isto é, iram ser culpados por sangrar aqueles que respeitaram uma decisão coletiva e lutaram para que esta decisão tivesse resultado.

Porém para termos um ACT robusto, como temos hoje, foi graças a NÓS, que mesmo em minoria em quantidade, mostramos todas as vezes que somos GIGANTES na consciência do poder da coletividade.

Somente comparo e não digo que o sentimento é igual, pois no caso desta conjuntura de campanha de mudança de plano de cargos, realizado pela empresa unilateralmente, não foi para conquistar mais direitos e sim uma campanha política realizada pela empresa para que fossem vendidos os direitos.

Direitos individuais conquistados por uma luta coletiva.

Hoje, ao retornar ao trabalho, meu amigo e amiga, que escolheu em se manter no PCAC, observe que os colegas que optaram pelo PCR não estarão somente envergonhados, por não terem optado em se manter no PCAC, mas porque pela primeira vez, quem seguiu as orientações do sindicato em defender uma decisão coletiva não perdeu, e quem perdeu e vai continuar perdendo foram quem não seguiu as orientações do sindicato.

O mundo acabou? Não.

Teremos uma batalha árdua para não perdemos os nossos planos de pensão Petros 1 e Petros 2, temos uma batalha em fechar a negociação do regramento da PLR e o principal: A luta contra a venda Transpetro. 

Para depois lutarmos não para manter os direitos nossos, que optamos em ficar no PCAC, mas de recuperar os direitos de quem abriu mão de seus direitos individuais.

E lembrando, que recuperar um direito é mais difícil do que mantê-lo, e este é mais difícil do que conquistar. Então esta luta, que não é só dos que estão no PCR, mais de todos, para poder recuperar este direito.

Mais realmente não é um fim do mundo? Não.

Este não foi o primeiro e nem o último ataque em nossos direitos, porém, com certeza, é mais um aprendizado para todos nós trabalhadores e para a direção do SindipetroNF.

Já são meia-noite e trinta e dois minutos, voltem para a unidade com o sentimento do dever cumprido, abrace, beije e de um sorriso para o colega que infelizmente vendeu o próprio direito dele, e diga que mesmo ele ter aceitado em vender um direito que era dele, porém conquistado coletivamente, você valoriza o direito dele e o seu, e por isso conta com ele para corrigir a decisão dele errada.

Sigamos debatendo entre nós nas setoriais na base, no sindicato e outros fóruns. Vamos construindo para a montagem da barricada política democrática, para acumulo de nossas forças para não somente resistir.

Cláudio Nunes

Petroleiro Transpetro

Diretor SindipetroNF - Departamento Jurídico