Dia da Independência, para quem?

Olha eu aqui de novo, meus amigos e amigas. Faz um tempo que não escrevo, após os dois últimos artigos com os títulos:

O preço do gás vai cair

O preço do gás vai cair 2.0.

Entre os dias 04 e 05 de setembro, estive com um grupo de petroleiros e uma das representantes da coordenação nacional da Frente dos Evangélicos pelo Estado de Direito, no Seminário Soberania Nacional e Popular - Contra as Privatizações .

No dia 05 , fui abordado com uma seguinte pergunta: como traduzir o termo "Soberania Nacional" em termos fáceis de compreensão para o restante da população? Do que me lembro, eu respondi desta forma: A Soberania Nacional é a obrigação do estado de manter a universalização do acesso à educação, saúde (alimentação, água e bem-estar), energia, locomoção, trabalho e comunicação. Utilizando ferramentas de intervenção direta (empresas públicas) e indiretas (legislação e fiscalização)."

Na viagem de retorno a Macaé, e durante o dia de hoje, fiquei "matutando" sobre a pergunta e a resposta que dei. E agora, tomando meu chimarrão que ganhei de presente de um amigo do sindicato dos petroleiros do Rio Grande do Sul, fui para as pesquisas e estarei agora expondo o que eu levantei.

Primeiramente vi a necessidade de separar a Soberania Nacional e a Soberania Popular. O primeiro é quando um país tem total poder e domínio dentro de seus limites territoriais, sendo livres de influências ou comando de terceiros.

Em relação ao segundo, resgata o termo "contrato social", onde o povo dá consentimento os representantes escolhidos para que estes possam governar.

Para o Estado ter a Soberania Nacional, não necessariamente tem que ser através da Soberania Popular. Poder ter um Estado sendo sustentado por um contrato social rasgado.

E não foi o que ocorreu nos últimos cinco anos?

Após as eleições de 2014, a presidenta Dilma foi reeleita. E começaram as afirmações dos candidatos que perderam as eleições, que não reconheceriam o resultado.

Em 2015, com uma dificuldade enorme de passar projetos e programas para fazer a economia rodar, provocado pelo congresso, que seguiu a linha de não reconhecer o resultado das eleições. Tivemos um estado congelado frente a crise econômica com agravamentos.

Com o aumento das tensões , agora em 2016, com o intuído de forçar a renúncia da presidenta, que foi frustrada; no mesmo ano, agora com acusações que se mostram depois sem nenhum fundamento, foi provocado o impeachment da presidenta.

Processo este puxado pelo presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha, que no ano seguinte foi preso.

Recapitulando antes de prosseguir:

Em 2014, após as eleições o Contrato Social estava sendo amassado, mas ainda existia.

Em 2015, com o bloqueio político do congresso, continuava sendo amassado, mas ainda existia.

Em 2016, com o impeachment e com a mídia clássica bombardeando sua linha ideológica capitalista, o contrato social foi rasgado.

Resultado do contrato social rasgado foi o agravamento da crise política, que foi de "ladeira a baixo", pois não envolveu somente discordância ideológica entre partidos políticos, mas toda sociedade.

A mídia colaborou em incendiar os pedaços do contrato social, com a "lavagem cerebral" do pensamento ideológico que toda a política brasileira é corrupta.

A ação da mídia e de grupos políticos irresponsáveis, acordaram alguns monstros dentro da sociedade: o ódio de classes, do negro, da mulher e do pobre.

Em 2017, o governo Temer se preocupou em se blindar sobre as denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro, e sem proposta de saída da crise que se aprofundava deste 2016, veio as eleições de 2018.

Sem um contrato social válido, chegamos com uma eleição aos moldes das eleições de 1990, onde pela primeira vez após golpe militar a sociedade brasileira iria escolher seu presidente através do voto direto, foi utilizado de mentiras (hoje são chamados de fake news) exibidas pela televisão. O auge foi o debate entre Lula e Collor, onde o programa foi todo editado em favorecimento ao candidato Collor.

Em 2018, utilizando os mesmos métodos, o candidato Bolsonaro teve colobaração de uma estratégia inteligente de proliferar fake news pelas mídias sociais, somado pela intervenção de um grupo do judiciário (Ministério Público e Justiça) que utilizou meios escusos em inviabilizar a candidatura de Lula, tornando sua vitória concretizada.

Mas além das mentiras, o que tem em comum? A inexistência de um contrato social.

Estamos em 2019, com milhões de desempregados, outros milhões em subempregos, o estado com iniciativas grosseiras de lapidar as ferramentas de intervenção na sociedade, isto é, extinção de conselhos consultivos, rompimento de investimento na educação e na ciência, venda de empresas estatais estratégicas e principalmente, o isolamento político do país em relação aos principais parceiros comerciais.

Meu amigo e meu colega, nós brasileiros precisamos reescrever um novo pacto social. Não tem como construir uma saída econômica sem termos um pacto social.

Por isso o papel do Frente Brasil Popular e a Povo Sem Medo para reescrever este pacto social pois a construção de uma frente ampla, com diversos atores, que possuem o entendimento que não há disputa de poder se não houver uma democracia sólida.

Mas como eu e você podemos contribuir? Bom, amanhã teremos em todo o país o Grito dos Excluídos, e existe um movimento grande da população se vestir de preto e assistir os desfilies das forças armadas e das escolas que normalmente faz nas cidades, e participar das caminhadas que está sendo organizada pela Frente Brasil Popular e a Povo Sem Medo.

Pesquise na internet e veja onde vai ter mais perto de sua casa.

A mudança de rumo e redemocratizar o país, passa pela participação de cada um de nós.

Abraços