A ESPIRITUALIDADE BOLSONARISTA NAS IGREJAS EVANGÉLICAS

Anos atrás, bem antes das igrejas evangélicas conservadoras conhecerem Bolsonaro e apoiá-lo, seus pastores já pregavam uma mensagem fundamentalista, que em seu conteúdo exaltavam o ódio, a divisão e a exclusão dos que se atravessem a pensar diferente da caixinha. Antes de Bolsonaro, a igreja evangélica já criava seus inimigos. Em nome dos "bons costumes" do zelo da doutrina e defesa da família tradicional, os pastores ensinavam a intolerância religiosa e a exclusão dos homossexuais, apresentavam um deus irado, vingativo e violento, que castigava cruelmente os marginalizados, desobedientes pecadores rebeldes.

Por isso, a história registra um número assustador de exclusões e divisões, sobretudo na maioria das igrejas históricas com suas alienantes interpretações da bíblia que exaltam a letra e os rigores da lei em detrimento da misericórdia e do perdão. Assim seguiu também muitos pentecostais e neopentecostais com seus "coronéis do templo". Estes seguimentos através da história da igreja brasileira até hoje se consideram únicos, (forte marca do fundamentalismo), extremamente fechados para o diálogo com outros seguimentos religiosos e não medem esforços para a manutenção de uma espiritualidade superior e individualista, se sobrepondo a outros caminhos de novos diálogos, diversidade e fé.

A falsa mensagem de Bolsonaro anunciando uma política de combate à corrupção, exterminação da esquerda e a suposta valorização da família tradicional brasileira atraiu a massa "evangélica puritana", que em sua hipocrisia sempre se apresentou como mais santa, pura, em um patamar de "semideuses" reivindicando uma exclusividade como únicos "separados de Deus. " Contudo ao mesmo tempo que se intitulam os "santos de Deus", descaradamente propagam o ódio, a divisão e a opressão aos seus opositores, que no caso, são as minorias de senso crítico, que lutam por democracia, igualdade e justiça, que não se dobram nem a Bolsonaro nem ao sistema religioso que apoia suas perversidades.

Foi nesse contexto de extremo conservadorismo que Bolsonaro mergulhou fundo e encontrou forte apoio das igrejas evangélicas nas eleições de 2018. Seu discurso violento e ultraconservador encontrou um lugar de terreno fértil para apoiar suas ideias fascistas em meio à espiritualidade alienante dos evangélicos, sobretudo nas grandes Igrejas, mas também em pequenas congregações de linha histórica e pentecostal, afinal, essas Igrejas se alinham em um forte elemento do fascismo, que é a arrogância de se considerar único.

Hoje, grande parte das igrejas evangélicas vivem uma espiritualidade bolsonarista, marcada pela arrogância, mentira, opressões e divisão. Chamamos de bolsonarista, não porque veio de Bolsonaro, mas pelo fato do mesmo ter encontrado na espiritualidade dessas igrejas, lugar de apoio para suas ideias maléficas. Foi fermento na massa que inflou, azedou e consequentemente apodreceu.

Contudo diante de um contexto de exclusões, preconceitos e apego ao poder, é possível construir novos caminhos. Caminhos de compaixão, solidariedade, liberdade e justiça, cheios de renovo, coragem e esperança.

Autor: Marcos Aurélio dos Santos